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Equoterapia

O meu contato com a Equoterapia aconteceu em 2006, quando recebi um convite para trabalhar no CERN http://cern-equoterapia.blogspot.com/ -Centro de Equoterapia do Rio Grande do Norte. Estou lá até hoje. A minha concepção de vida mudou a partir do contato com pessoas que, apesar de suas dificuldades, nos ensinam que a vida é muito preciosa e que não devemos desperdiça-la com atitudes insignificantes...
O meu objetivo com esse espaço é apresentar algum material que possa ser significativo para quem trabalha com portadores de deficiência, síndromes e outras patologias e também falar da minha experiência.
Às vezes necessitamos rever nossos conceitos para que possamos entender melhor as pessoas, o mundo, a vida de cada um. É o caso de "Deficiências", aqui retratado pelo grande e eterno Mário Quintana.

DEFICIÊNCIAS, Mario Quintana (escritor gaúcho nascido em 30/07/1906 e morto em 05/05/1994 .
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"Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.
"Louco" é quem não procura ser feliz com o que possui.
"Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.
"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.
"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.
"Paralítico" é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.
"Diabético" é quem não consegue ser doce.
"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer.E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois:
"Miseráveis" são todos que não conseguem falar com Deus.
"A amizade é um amor que nunca morre."

Resiliência...
Por ocasião do Curso Básico de Equoterapia, em Julho de 2007, no Caxangá Golf Club, em Recife, tive o meu primeiro contato direto com o têrmo Resiliência, através do texto que disponibilizo agora com todos os leitores. Confesso que me encantei, pois um ser resiliente existe em todas as esferas da nossa vida, desde a vida pessoal como a profissional. Portanto sejamos seres resilientes. Curtam então o texto.
RESILIÊNCIA

Professora Sandra Maia Farias Vasconcelos
Há mais de quarenta anos, a ciência tem-se interrogado sobre o fato de que certas pessoas têm a capacidade de superar as piores situações, enquanto outras ficam presas nas malhas da infelicidade e da angústia que se abateram sobre elas como numa rede engodada. Por que certos indivíduos são capazes de se levantar após um grande trauma e outros permanecem no chamado fundo do poço, incapazes de, mesmo sabendo não ter mais forças para cavar, subir tomando como apoio as paredes desse poço e continuar seu caminho? As experiências e estudos feitos têm mostrado algumas explicações científicas sobre esse fato. A biologia defende o ponto de vista de que cada ser humano é dotado de um potencial genético que o faz ser mais resistente que outros. A psicologia, por sua vez, dá realce e importância das relações familiares, sobretudo na infância, que construirá nesse individuo a capacidade de suportar certas crises e de superá-las. A sociologia vai fazer referência à influência do entorno, da cultura, das tradições como construtores dessa capacidade do individuo de suplantar as adversidades. A teologia traz um aporte diferente pela própria subjetividade transcendente, uma visão outra da condição humana e da necessidade do sofrimento como fator de evolução espiritual: o célebre "dar a outra face". Mas foi o cotidiano das pessoas que passam por traumas, que realmente atravessam o vale das sombras, o que realmente atraiu a curiosidade de cientistas do mundo inteiro. Não são personagens de ficção que se erguem após a grande queda; são homens, mulheres, crianças, velhos, o individuo comum do mundo que retoma sua vida após a morte de um filho, a perda de uma parte de seu corpo, a perda do emprego, doenças graves, físicas ou psíquicas, em si mesmo ou em alguém da família, razões suficientes para levar um individuo ao caos. Esses que são capazes de continuar uma vida de qualidade, sem autopunições, sem resignação destruidora, que renascem dos escombros, esses são seres resilientes.
A resiliência é um termo oriundo da física. Trata-se da capacidade dos materiais de resistirem aos choques. Esse termo passou por um deslizamento em direção às ciências humanas e hoje representa a capacidade de um ser humano de sobreviver a um trauma, a resistência do individuo face às adversidades, não somente guiada por uma resistência física, mas pela visão positiva de reconstruir sua vida, a despeito de um entorno negativo, do estresse, das contrições sociais, que influenciam negativamente para seu retorno à vida. Assim; um dos fatores de resiliência é a capacidade do individuo de garantir sua integridade, mesmo nos momentos mais críticos.
Não se é resiliente sozinho, embora a resiliência seja íntima e pessoal. Um dos fatores de maior importância é o apoio e o acolhimento, feito em geral por um outro indivíduo, e essencial para o salto qualitativo que se dá. Alguns autores nomearam essas pessoas: Flash chamou-o mentor de resiliência; Cyrulnik chamou-o tutor de resiliência; muito antes Bolwby chamou-o figura de apego. Denominações a parte, a resiliência ganha hoje seu espaço na pesquisa em ciências humanas, médicas, sociais, administrativas etc.
Mas não se forma um mentor/tutor/figura de apego. Não se pode dizer que alguém vai ser a partir de agora esse individuo que vai chegar para operar o milagre. A resiliência é, na verdade, o resultado de intervenções de apoio, de otimismo, de dedicação e amor, idéias e conceitos que entram sorrateiramente nas ciências como causa e efeito, intervenção e resultado, hipótese e tese de que as relações intra e inter-humanas são relações que ultrapassam o rigor do empirismo para encontrar o acaso.


ORAÇÃO DA CRIANÇA AUTISTA

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"Bem aventurados os que compreendem o meu estranho passo a caminhar. Bem aventurados os que compreendem que ainda que meus olhos brilhem, minha mente é lenta. Bem aventurados os que olham e não vêem a comida que eu deixo cair fora do prato. Bem aventurados os que, com um sorriso nos lábios, me estimulam a tentar mais uma vez. Bem aventurados os que nunca me lembram que hoje fiz a mesma pergunta duas vezes. Bem aventurados os que compreendem que me é difícil converter em palavras os meus pensamentos. Bem aventurados os que me escutam, pois eu também tenho algo a dizer. Bem aventurados os que sabem o que sente o meu coração, embora não o possa expressar. Bem aventurados os que me amam como sou, tão somente como sou, e não como eles gostariam que eu fosse." Amo cada um de vcs... do meu jeito mais AMO.
Sugestão de um amigo: JOANA: Sugiro que acrescente à oração: "Bem aventurados os que me vêm, não me entendem, mas sempre têm a compreensão que sou humano capaz de uma troca de amor. Abração do AmigoGilberto...

Atualmente, estamos com uma grande demanda de Autistas, tanto crianças, como adultos. Temos intensificado as nossas reuniões de estudo e também participado de encontros específicos nessa área... os vídeos a seguir é uma proposta muito interessante que podem auxiliar no tratamento de pessoas com autismo.


















Mais um video sobre o Programa Son-Rise
A história de Simon 

                     
14º Curso Avançado de Equoterapia

Pampi
Ed
No período de 15 a 19 de novembro de 2010, participei do curso avançado de Equoterapia, em João Pessoa, na Paraíba. O momento foi muito rico, com aulas teóricas e práticas. Momentos como esse só nos enriquece e fortalece cada vez mais o nosso trabalho, bem como o vínculo com os nossos "praticantes"* e o nosso amigão:   sua majestade "o CAVALO".                          
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                

Guga



zorro




*Praticante: Quem pratica Equoterapia . 

Mais um vídeo do Programa Son-Rise 
A Jornada de Oscar 

                                                                                                                                                                                                                                                             
Novo vídeo Palestra da inspirado pelo Autismo

Veja aqui a tradução:
coisas que acontecem com nossas crianças... e quando digo criança, pode
ser aquela de 6, 16, 25 anos! Ela sempre será o filho ou filha de alguém. Falo do seu
filho em especial e não importa se ele é um adolescente ou mais novo. As pessoas
olham para seu filho e podem pensar, “Uau! Ele parece perfeitamente capaz de lidar
com certas situações. Vai bem na escola.” Mas o tipo de autismo que seu filho tem
passa facilmente desapercebido. Por nossas crianças serem tão capazes em certas
áreas, as pessoas esperam essa mesma habilidade em tudo. Mas elas ainda têm seus
desafios. Por uma questão neurológica, elas têm um desafio específico de
socialização quando comparado ao modo como eu e você socializamos, ou ao
irmãozinho que é uma criança típica. Aí percebemos que quando chegam em casa, da
escola ou de outro lugar, podem ter uma crise, podem chorar, gritar. Percebemos que
numa conversa mais longa, insistem num determinado tópico. E alguns de vocês
talvez tenham percebido que seus filhos, quando não conseguem entender, ou não
conseguem o que querem, às vezes usam de força física para se expressar. Ou às
vezes, quando chegam em casa, se isolam sem fazer um contato genuíno com vocês,
pais, ou outros membros da família. É com essa habilidade que queremos ajudá-los!
Eles podem ir muito bem na escola, na higiene pessoal e outras coisas, mas o desafio
nr. 1 deles é relacionar-se com outras pessoas; ser capaz de estabelecer e manter
uma relação mútua e significativa com os pais, irmãos, colegas, professores, qualquer
pessoa com quem tenham contato. A capacidade de serem flexíveis e espontâneos é
essencial na vida deles, não somente em relacionamentos, mas em todos os
aspectos.
Lembro-me de uma mãe que veio ao nosso programa intensivo. Seu filho de 18 anos
tinha Asperger. Nos divertimos muito com ele. Ela comentou sobre quando ele tinha 8
anos de idade e não conseguia fazer amizade com as crianças da vizinhança. Ela
preparava festas com bolo, refrigerantes e tudo mais e convidava a criançada
pensando que aquilo o ajudaria. Ficava a maior confusão, as crianças correndo e
falando, comiam todo o bolo e depois iam brincar no quintal, mas o filho dela
continuava com ela porque ele ainda não tinha a habilidade de ter e manter
relacionamentos próximos e significativos com outras crianças de sua idade. Quando
trabalhamos com ele, trabalhamos no nível em que ele estava aos 18 anos.
Recentemente, falei com sua mãe que me disse que agora ele tem amigos com quem
viaja, namora, trabalha, e o relacionamento com o pai, mãe e irmã nunca esteve
melhor! Está mesmo muito bem. Portanto, não importa em que nível seu filho esteja,
há sempre algo que você pode fazer para ajudá-lo em sua habilidade de relacionarse.
Falaremos sobre três estratégias aqui. Começamos com o comportamento repetitivo,
seja verbal, ou manipulação de objetos, ou atividades. Começamos sempre onde seu
filho está e, principalmente, como você se sente, qual a sua atitude relacionada ao
comportamento repetitivo dele, comportamento que pode ser qualquer coisa! Trabalhei
com uma criança que falava sobre caminhão de lixo o tempo todo! Outra falava sobre
o metrô de Londres. Outra que fazia a mesma pergunta sem cansar: “Quem você acha
que vai chegar agora?” Ele queria saber quem seria o próximo a brincar com ele. Já
havia respondido muitas vezes, mas ele continuava perguntando! Trabalhei com um
garoto de 15 anos que escrevia nomes em grãos de arroz. Outra criança de 13 anos
adorava novelas e tinha uma que ele assistia muitas vezes, depois baixou todos os
personagens na internet e criou seu mundo imaginário com o qual brincava de maneira
isolada. Esse garoto tinha também o diagnóstico de autismo de alto desempenho /
Asperger. Então, a atividade repetitiva pode ser qualquer coisa.
Geralmente, as pessoas julgam o comportamento e se sentem frustradas. E parte
disso é porque pensam, “Puxa, meu filho é tão capaz!” Se esquecem que seus filhos
ainda têm seus desafios neurológicos, pensam que não deveriam estar se
comportando daquela maneira, que deveriam estar em outro nível. Mas se fosse tão
fácil assim, não estaríamos conversando agora, certo? Lidar com essa questão requer
mais energia, mais esforço e um método que os ajude a conseguir ir além do
comportamento repetitivo. Portanto, sua atitude é muito importante.
Uma mãe cuja filha tem Asperger nos escreveu e foi muito honesta sobre seu
sentimento. Disse, “Ela parece tão capaz às vezes que me esqueço que algumas
coisas ainda são difíceis para ela. Me irrito, depois me sinto culpada por me sentir
irritada.” Talvez você sinta isso também. Pare por um momento e pense no
comportamento repetitivo de seu filho. O que sente? Fica irritado? Frustrado? Com um
sentimento de medo? Medo do futuro? Qual é o sentimento que aflora em você?
Torne-se consciente desse sentimento, pois com certeza vai impactar seu filho. A
primeira coisa a fazer é dizer, Ok, estou consciente deste sentimento. Vou te dar
algumas ideias que podem te ajudar a ficar mais à vontade e calmo. Em nossos
programas e materiais temos também bastante coisa para ajudar as famílias a se
sentirem mais tranqüilas e calmas para enfrentar o desafio dos ʻismosʼ ou os
comportamentos repetitivos.
Estejam conscientes e pensem que suas crianças têm um comportamento que não é
neurotípico para uma criança da idade deles. Portanto, isso nos diz que o cérebro
delas funciona de maneira diferente. Elas têm um desafio e repetem esse
comportamento por algum motivo. Por exemplo, talvez não processem o mundo como
nós fazemos. Os estímulos externos (visual, sonoro, olfato) podem ser uma
sobrecarga para elas e elas podem ter muita dificuldade em compreender as
interações dos humanos, talvez muito complexas e imprevisíveis para elas! E elas têm
de montar esse quebra-cabeça constantemente. Talvez elas aparentem estar lidando
bem com algumas situações, mas no fundo estejam apenas sobrevivendo às
situações. E você quer ajudá-las a serem bem-sucedidas, não apenas sobreviver.
Portanto, é importante que compreendamos nossas crianças.
Como mencionei antes, respondo diversas vezes a perguntas recorrentes feitas por
nossas crianças, “Quem virá depois?” “Quem virá depois?” “Será a Linda.” “Linda virá
depois.” E a cada vez que elas perguntam, eu respondo com entusiasmo, me
divertindo, pois acredito que o principal aqui não é a pergunta ou a resposta, as
crianças estão buscando a sensação de previsibilidade, de controle, de rotina em suas
vidas, pois todo o resto em suas vidas parece caótico para elas, não controlável.
Então, ao conseguir a mesma resposta para a mesma pergunta, elas obtêm a
sensação de previsibilidade, de rotina, e isso as ajuda a se sentir centradas e calmas.
Imagine que você está tendo um dia difícil, sentindo-se sobrecarregado, muitas coisas
acontecendo. Você não sente vontade de apenas chegar em casa, sentar-se e
descansar? Talvez tomar uma taça de vinho, talvez sentar-se e ler um livro, ouvir sua
música favorita, fazer algo para sentir-se calmo e equilibrado. Nossas crianças fazem
isso a cada momento, constantemente. É importante então que compreendamos que
elas estão fazendo o melhor que podem e que esta é a maneira que encontraram para
cuidar de si mesmas. Tenha certeza de que elas não acordam de manhã e pensam
“Eu vou atazanar meus pais hoje, vou fazer aquela pergunta de novo e de novo e de
novo”. Não acho que elas façam isso. Elas agem como agem pois têm dificuldades.
Quando você vir sua criança fazendo aquela atividade repetidamente, procure ter a
perspectiva de que ela está tentando sentir-se calma e em controle. Ela está fazendo o
melhor que pode neste momento! Sua atitude pode ser de compreensão, aceitação e
compaixão ao observá-la tentando cuidar de si própria.
Quando a criança vier até você e fizer a mesma pergunta, ou falar sobre o mesmo
assunto, caminhões de lixo, ou o metrô de Londres, perceba que ela quer interagir,
mas ela não sabe como, e o único assunto que ela domina é sobre caminhões de lixo,
e tenta falar sobre o mesmo assunto pois não sabe como expandir o universo de
assuntos por si própria. Compreenda que sua criança não sabe como ir além disso,
não aprendeu ainda outras formas de se comunicar. Tenha a atitude de aceitação,
dizendo para si, “Tudo bem minha criança estar fazendo isso”. E inclusive tome um
passo adiante, não apenas sinta-se confortável, mas divirta-se também ao interagir
com sua criança enquanto ela apresenta o comportamento repetitivo. A sua aceitação
e o fato de você também se divertir colaboram para que a criança sinta-se confortável
e calma em seu ambiente, sinta que as situações podem ser controladas e previsíveis.
Você sabe que quando você se sente frustrado e irritado, você fica tenso, sua criança
fica tensa, conflitos aparecem, e você não ajuda a sua criança a se sentir mais
relaxada e descontraída. Esta estratégia, mas até mais que uma estratégia, um estilo
de vida para se relacionar com sua criança diante de seus comportamentos, o ajudará
a se sentir mais calmo e sua criança mais calma e centrada, portanto mais pronta para
interagir com você de formas mais complexas. A estratégia nr.1 está relacionada à
atitude de amor, aceitação e compreensão diante dos comportamentos repetitivos de
sua criança.
A estratégia nr. 2 é como podemos ajudá-las a expandir o comportamento repetitivo, a
serem mais flexíveis e espontâneas enquanto interagem conosco dentro de
comportamentos repetitivos.
A primeira coisa é estar presente com seu filho. Estar ali e estar amando falar sobre
caminhão de lixo, ou lego, ou barbie, ou seja lá o que for! Você ama o fato de estar ali
com ele, como companheiro de seu mundo especial, com a maior alegria e entusiasmo
que puder. Enquanto isso, está atento a uma oportunidade em que possa ir além do
que vocês têm feito e incentivar seu filho a expandir a atividade em que está envolvido.
Espere por ʻaquele momento certo.ʼ Talvez no início seu filho precise ter todo o
controle. Ou esteja muito rígido na atividade repetitiva, falando sobre o metrô de
Londres, caminhão de lixo, quem vai chegar depois, ou brincando com o arroz sem
parar, e então não há muito o que fazer a não ser estar presente e se divertir com ele.
Quando ele sentir a sua aceitação e estiver pronto, talvez apareça então naturalmente
um espaço para a expansão, uma pausa. Talvez ele fale sobre caminhão de lixo bem
rápido e com muito entusiasmo querendo que você somente o ouça, e você o ouve
com muito entusiasmo mostrando que está presente, e então pode haver uma pausa e
talvez uma conversa realmente “a dois” possa acontecer sobre o caminhão de lixo. É
isso que buscamos, uma pausa natural, uma tomada de fôlego, onde você entra e o
convida a expandir a atividade. Falaremos logo sobre o que podem fazer na prática,
mas é a esse momento, essa pausa que devemos estar atentos. Talvez seu filho faça
uma pergunta e, quando você responder, tente adicionar algo de uma maneira que o
convide à expansão.
Agora falaremos de como expandir uma atividade e usarei o exemplo do garoto que
escrevia em grãos de arroz. Ele escrevia no grão de arroz e eu fazia o meu melhor
para escrever também, o que é bem difícil eu te garanto, mas com persistência
podemos fazê-lo. Ele escrevia nomes de quem ele conhecia e eu escrevia nomes de
quem eu conhecia. Eu estava no mundo dele, escrevendo, relaxado, gostando de
estar ali, sabendo que minha atitude o ajudava a se sentir calmo e aceito. Apareceu
aquela pausa natural, uma chance para expandir! Eu disse, “Estou escrevendo Becky.
Ah! Sabe o que vou fazer? Vou escrever algo que penso sobre Becky! Vou escrever
amorosa! Olha só! Eu a acho amorosa por isso escrevi e vou entregar esse arroz para
ela depois! Ela vai adorar! Sabe por que escrevi que ela é amorosa? Ela é amorosa
pois sempre que a vejo ela me abraça, me diz coisas boas. Se preciso de ajuda, ela
me pergunta se pode ajudar. Por isso ela é amorosa. Uau! Vejo que escreveu ʻpapaiʼ!
O que poderia escrever sobre o papai?” Aí ele pensou um pouco e escreveu, ʻbrincaʼ.
E eu disse, “Uau, ele brinca! Como ele brinca com você?” “Ele brinca de arroz comigo,
joga bola e outras coisas. Então quando penso nele, lembro que ele brinca comigo!”
Percebem como desenvolvemos uma conversa brincando com arroz? E de repente ele
estava pensando e expandindo além da atividade daquele momento, sendo flexível e
agregando outra dimensão à atividade, tudo enquanto interagia.
Outro exemplo. Um garotinho de oito anos que adorava um bichinho de pelúcia, um
boneco de neve. Quando veio para nosso programa intensivo, construiu uma casinha
no quarto de brincar para o boneco. Temos um escorregador com um espaço embaixo
onde se pode abrir uma portinha e aí colocou um travesseiro, uma coberta, água e
biscoitos. Construiu uma casinha para o boneco! Me falava com todo entusiasmo
dessa casinha, repetindo sempre as mesmas coisas, e eu adorava! Me divertia e o
aceitava sempre que me falava do boneco e de sua casinha. Então aconteceu uma
pausa e falei, “Essa é a casinha mais bonita que já vi! Mas tem algo faltando aí. O
boneco precisará de uma coisa se você ou eu, ou o Elmo, vier visitá-lo! Uma casa
precisa de uma campainha! Assim, se ele estiver dormindo e alguém tocar a
campainha ele acorda e vem abrir a porta! Uau, isso é fantástico! Vamos colocar uma
campainha.” Ele pensou por um instante e disse, “OK! Precisa mesmo de uma
campainha!” Estava todo entusiasmado com a ideia da campainha. Assim,
começamos com uma descrição repetitiva dos objetos da casa: travesseiro, coberta,
biscoitos, água, e quando houve um espaço, com entusiasmo apresentei algo mais,
uma expansão para o mundo dele. E avançamos! Colocamos um jardim com muros ao
redor, desenhamos as flores para o jardim, depois ele me ajudou a montar uma casa
para o Elmo. Interagimos o tempo todo enquanto construímos um mundo juntos; ele
treinava sua sociabilidade, espontaneidade e flexibilidade. Porém, tudo aconteceu
passo-a-passo como variações do que ele já brincava, pois a dica não é mudar a
atividade, mas expandi-la! E a expansão só pode acontecer quando você entra na
atividade com prazer e depois apresenta uma ideia nova. A chave é como você
apresenta essa ideia! Deve ser com muito entusiasmo, “Uau! Vamos colocar uma
campainha!”, ou, “Becky, meu Deus, ela vai adorar esse arroz!” Tem de ter
entusiasmo, ao invés de dizer, “Ok, talvez você queira colocar uma campainha aqui.”
Se você não estiver entusiasmado, não estiver com os 3 Eʼs (energia, entusiasmo,
empolgação), seu filho vai olhar para você e se perguntar, “Você nem parece gostar
tanto da sua ideia, por que eu então iria fazer isso?” É preciso entusiasmo.
Há uma armadilha em que muitas pessoas caem, principalmente com crianças com
autismo de alto desempenho / Asperger que são altamente verbais, que é fazer muitas
perguntas a elas, um interrogatório, pensando que as ajudarão na interação. O que ele
está fazendo? Onde ele dorme? Etc. Fazer perguntas não significa expansão; a
criança pode se sentir interrogada ou testada e acabar se fechando e se isolando. Não
faça perguntas no início. O que você pode fazer é se perguntar, “Como quero expandir
essa brincadeira?” Encha-se de entusiasmo e apresente sua ideia com entusiasmo,
energia e empolgação e é muito provável que seu filho queira juntar-se a você. Fazer
uma série de perguntas não é divertido. Divirta-se e continue a brincadeira com o que
você tem de melhor.
Enquanto brinca com seu filho, lembre-se que ele está aprendendo a ser flexível.
Mesmo que ele diga não à atividade no início, ele pratica interação com você, vê que
pode te controlar, que as pessoas podem ser previsíveis, que gostam do mundo dele.
Então ele aprende que se gostam do mundo dele, as pessoas podem gostar do mundo
de outras pessoas. Na verdade, modelamos a qualidade que queremos que ele
desenvolva.
Outra habilidade que pode ajudar seu filho a desenvolver é a habilidade de ser capaz
de interagir nas atividades de outras pessoas. Esta é a estratégia de nr. 3.
Quando classificamos interações humanas, entre tantas áreas, temos duas principais:
aprender a incluir alguém em nossa atividade sendo flexível, espontâneo, criativo e
ativo, e depois participar da atividade de outra pessoa. “Como posso brincar com eles?
Como posso brincar com o que eles brincam?” “Não posso sempre querer fazer o que
eu quero quando eu quero.” Ter amigos envolve reciprocidade, dar e receber, então a
habilidade de participar na atividade ou jogo de outra pessoa é importante e essencial.
Novamente, o momento propício para apresentar uma outra atividade para seu filho é
muito importante! Esse momento pode ser uma transição, por exemplo, quando você
entra no quarto para brincar com seu filho. Você entra com uma atividade. Quando ele
te olha, você apresenta a atividade com entusiasmo, “Olhe só que jogo legal tenho pra
nós!” Ou talvez no momento em que ele termina uma atividade e parece estar
buscando por algo a fazer, você utiliza esta oportunidade e diz, “Tenho um jogo legal
para mostrar para você!” E mostra a atividade de uma maneira interessante e
entusiasmada.
É bom que se prepare antes de apresentar a atividade. Pense na atividade que vai
mostrar para seu filho e alguns acessórios interessantes que possam ajudá-lo a se
interessar e a se envolver. Por exemplo, lembro-me quando Jade, nossa filha, estava
nessa fase em que queríamos que ela jogasse nossos jogos. Ela adorava lego, então
comprei um tratorzinho de lego de 3 dólares, separei todas as partes e as coloquei
individualmente em ovos de plásticos que tínhamos e os fechei com durex. Entrei no
quarto de brincar com uma sacola de papel e Jade me perguntou, “O que tem na
sacola?” Respondi que tinha um jogo maravilhoso que iríamos jogar juntos. Mostrei os
ovinhos para ela e perguntei, “Você quer brincar?” Estava entusiasmada e disse que
sim. Disse a ela que precisava preparar algumas coisas e pedi que olhasse para a
parede e contasse até 40 comigo. Grudei os ovos coloridos no teto e quando ela virou
e viu aquilo disse, “Uau!” Disse a ela que teríamos que trabalhar juntos para pegar os
ovinhos e mostrei a foto do tratorzinho dizendo, “Em cada ovo tem uma pecinha deste
carro e para montá-lo temos de pegar os ovinhos. Mas temos de pensar em formas
diferentes de trazê-los pra baixo.” Ela ficou toda animada! Eu disse que tinha a ideia
para fazer o primeiro. Peguei-a no colo e ela pegou o primeiro ovinho, abriu e tirou a
pecinha de lego toda animada e motivada porque adorava lego! Quando pensar na
atividade, pense na motivação de seu filho para que ele queira estar envolvido na
atividade. Ficamos naquela atividade por uma hora, pegando os ovinhos e
conversando sobre as ideias para trazê-los para baixo. Havia também negociação
sobre algumas ideias, se dariam certo ou não. Foi maravilhoso porque ela estava
envolvida, flexível e espontânea, tendo suas próprias ideias. Você pode fazer o mesmo
com seu filho. Talvez ele diga NÃO à brincadeira, e Jade às vezes dizia NÃO e nos
mandava colocar o brinquedo para fora do quarto, mas você sempre pode trazê-lo de
volta no dia seguinte. E então seguíamos brincando com o que ela queria brincar
naquele momento. Saber passar o controle da situação quando brinca com seu filho é
essencial. Sabemos como são sensíveis sobre situações previsíveis, sobre as coisas
serem feitas de um determinada forma. Se seu filho disser não, diga, “Claro! Você tem
o controle!” E siga brincando com ele. E mesmo que diga NÃO centenas de vezes,
aceite porque talvez precise ouvir que está OK centenas de vezes para sentir que está
no controle, pois o que ouvia antes era, “Não! Você vai fazer o que eu quero que você
faça!” Precisamos reverter essa mensagem para, “O mundo é previsível e controlável,
eu sou previsível e controlável.” Pode ser que tenha de dizer SIM centenas de vezes,
então quando seu filho disser NÃO, diga, “SIM, perfeito, vamos deixar isso de lado,
não temos de brincar com isso agora.”
Falamos muito sobre como apresentar brincadeiras e atividades às nossas crianças
em nossos programas avançados, New Frontiers e Maximum Impact, ajudando
famílias a serem mais criativas, a gerar ideias e ter a atitude que as ajudará a criar
laços mais fortes com seus filhos.
Alguns pontos antes das perguntas, principalmente para aqueles que não participaram
do programa START UP. Crie um espaço para brincar onde possa entrar e dedicar-se
ao trabalho com seu filho. Algumas pessoas já nos disseram que no início era difícil,
mas agora seus filhos adoram, mesmo sendo adolescentes. Parabéns por persistirem!
Para quem nos ouve pela primeira vez, crie um espaço tranqüilo em sua casa onde
possa estar com seu filho sem distrações. Faça por 30 minutos por dia e tente
algumas das minhas sugestões, ou material de nosso site. Trinta minutos por dia em
um espaço tranqüilo seria o ideal. Acredito que você vá perceber mudanças.
-- Fim da Parte I --

Veja aqui a tradução:
PARTE II
Mais uma coisa. Tenho certeza que irão me adorar por isso! É sobre televisão,
computadores, gameboys, ou outro brinquedo eletrônico parecido. Talvez digam, “Meu
filho não tem comportamento repetitivo!” Mas se ele estiver no computador por duas
horas por dia, ou assistindo vídeos, ou jogando gameboy por duas horas, andando
com fones de ouvidos, eles estão sendo repetitivos e se isolando nessas atividades.
Melhor retirar essas distrações deles. Talvez comecem a substituir por outra atividade
repetitiva ou de isolamento, mas os equipamentos com telas, como TVs,
computadores, são uma atividade solitária e eles ficam sozinhos no mundo deles,
exatamente aquelas características tão presentes em pessoas com autismo e
Asperger, o isolamento e a inaptidão para conectar-se com os outros. Estes aparelhos
reforçam essa tendência, são hipnotizantes e nossas crianças ficam vidradas nas
atividades repetitivas. É como se estivéssemos dando a eles um instrumento para
fortalecer essa tendência, por isso é que queremos limitar o acesso a esses aparelhos
o máximo possível.
Outra coisa a fazer é celebrar quando seu filho fizer algo que queira que ele faça. Diga,
“Isso mesmo, John! Adorei o que fez! Você é tão flexível, inteligente e capaz!”
Comemore de uma maneira que faça sentido para seu filho. Por exemplo, ele tem 15
anos e você diz, “Uau! Que lindo!!!” Ele diz, “Não faça isso, pai... isso é muito careta.
Não sou mais uma criancinha.” Comemore dizendo, “Bom trabalho! Toca aqui!” Faça
de uma forma que você sabe que ele vai aceitar, ok? Essas são as 3 estratégias:
número 1 é sobre sua própria atitude, amar e aceitar seu filho, aceitar a atividade
repetitiva dele sentindo-se mais confortável e até se divertindo com ele. Número 2 é a
expansão das atividades repetitivas, ajudando-o a ser mais flexível, o que o ajudará
em todas as áreas de sua vida. Número 3 é desenvolver a habilidade de entrar nas
atividades de interesse de outras pessoas, que é a chave para amizades, e na
verdade, para todos os relacionamentos de nossas vidas.
Vamos às perguntas que foram mandadas antecipadamente pelas pessoas que se
cadastraram. Vou abordá-las pois acredito que serão úteis a este assunto.
Primeira pergunta. Esta é a família de um garoto de 8 anos diagnosticado com a
síndrome de Asperger que veio ao curso Start-Up em fevereiro. Eles escreveram,
“Depois de muita resistência, ele finalmente gosta do quarto de brincar e estamos nos
entrosando bem em muitas atividades, tais como: desenhar cartões do Pokeman e
labirintos complexos. Já percebo um avanço significativo em nosso relacionamento,
pois ele já busca maior contato comigo em um número maior de atividades.”
Excelente! Parabéns! “O maior desafio no momento são suas atividades obsessivocompulsivas
fora do quarto que estão testando a tolerância da família ao máximo.
Como devemos responder quando ele quer trancar a porta de saída para o jardim a
cada vez que vamos para o jardim? Ou quando ele quer que um de nós saia do lugar
para que ele possa passar por nós em uma determinada direção? Ou quando ele se
recusa a fazer a higiene básica corporal? Estas são situações que não podemos
praticar no quarto de brincar.” Você pode praticar e vou voltar a este ponto. “No
momento, lido com um comportamento de cada vez.” Fabuloso, Sally! Isso mesmo!
Lide com uma coisa de cada vez. “Eu digo calma e firmemente que a porta ficará
aberta enquanto entramos e saímos para o jardim, que não precisa ficar preocupado, e
que compreendo e aceito a sua necessidade de trancar-se no banheiro quando a porta
estiver aberta.” A situação é essa: ele quer que a porta que dá para o jardim fique
trancada o tempo todo, se não, fica nervoso ou ansioso e tranca-se no banheiro até
que a porta seja trancada. “O irmão mais velho o convida diariamente para jogar
futebol no quintal, ele acabou aceitando e todos comemoramos muito!” Excelente,
Sally! Estou muito contente por vocês!
Desafios vão aparecer com seu filho que tem autismo de alto desempenho/Asperger
em sua casa ou quando saem. Primeiro, essas coisas podem ser praticadas no quarto
de brincar; podemos conversar sobre elas. Lembro-me de um garoto com quem
trabalhei. Toda vez que ia ao parque, passava por um ponto de ônibus e acabava
brigando porque uns garotos mexiam com ele, ele respondia e brigava. No quarto de
brincar, trabalhamos fazendo uma dinâmica de troca de papéis praticando o que
faríamos naquelas situações, como perceber e responder àquilo tudo. Discutíamos o
que ele pensava, o que passava pela cabeça dele naqueles momentos. Ele entrou no
exercício! Entrei no papel do garoto que mexia com ele, ele começou a querer brigar,
pedi que parasse para que pudéssemos conversar sobre o que estava pensando!
Depois que discutíamos, ensinávamos como encarar aquilo e o que fazer; ele foi
capaz de lidar com a situação de uma maneira mais eficaz. Portanto, se cada vez que
a porta é aberta seu filho fica ansioso, ou sente um impulso para trancá-la ou se
trancar no banheiro, podem conversar sobre isso no quarto de brincar. Diga, “Vamos
brincar!” Pegue uns blocos e diga, “Aqui temos a parede, aqui é uma porta; depois da
parede tem um jardim! Podemos colocar uma fechadura. E agora vamos deixá-la
aberta. Ok! Vamos abrir a porta e colocar a cabeça pra fora. Nossa! Que legal! Não é
fantástico?” Na verdade, vocês estão ensaiando. Praticando dentro do quarto de
brincar vai ajudá-lo a ficar mais preparado para encarar a realidade. Ele vai entender
melhor, você pode dar explicações, inventar portões dizendo, “Veja, tem uma cerca ao
redor do jardim, e está trancada! Ninguém entra e ninguém sai. Não é fantástico?”
Podem usar a própria janela da sala, deixar a porta trancada e através da janela ele
pode acenar para o irmão que está lá ʻforaʼ acenando e dizendo, “Oi! É muito divertido
aqui fora”! Deixe a porta trancada, abra a janela e coloque a cabeça para fora, assim
ele vai se acostumando aos poucos. Se ele, no final das contas, correr e se trancar no
banheiro, tudo bem, aceite e saiba que ele precisa desse espaço, que está cuidando
de si mesmo. Porém, a persistência com o programa Son-Rise fará toda a diferença.
Continue a fazer o que tem feito, Sally, e verá que ele vai se tornar mais capaz de lidar
com a situação do jardim, ou lidar com as transições de ambientes. Ajudando-o a
socializar-se de uma maneira mais significativa no quarto de brincar fará com que ele
desenvolva mais sua compreensão das interações sociais, do mundo. Será capaz de
sair mais facilmente. Portanto, continue a fazer o que tem feito, o que já é fabuloso, e
adicione alguma das dicas que te dei.
Outra pergunta. Meu filho tem se saído muito bem. Tem alto desempenho com
certeza! Ele não repete muito, pelo menos não em conversas, como indivíduos com
Asperger. Minha preocupação é com suas habilidades sociais. É solitário e não
procura outras pessoas para brincar, a não ser o irmão em casa. Responde somente
às perguntas dirigidas a ele e raramente ou quase nunca adiciona informação extra
espontaneamente. Em alguns dias conversa mais, mas isso é raro. Fala muito sozinho
ainda, geralmente repetindo falas de shows da TV, livros ou computadores; como se
jogasse um jogo em sua cabeça. Não sei por que não brinca com outras pessoas
utilizando essas falas. Quando tento entrar na brincadeira e pergunto sobre o que está
falando, ele diz, “Nada” e pára de falar como se ficasse com vergonha. Tento
perguntar de uma maneira sem julgamento, mas ainda assim ele pára. Como posso
encorajá-lo a desenvolver um relacionamento com outras pessoas?
Voltemos às estratégias de que falamos. Acredito que se aplicar essas estratégias
poderá realmente ajudá-lo. Por exemplo, se a atitude repetitiva dele é falar sobre
roteiros, sobre os shows de TV, em filmes, então o importante aqui é o momento
adequado. Enquanto ele recita um roteiro, fique por perto e recite o seu roteiro bem
baixinho, não mais alto que ele, assim mostra que está perto e quer conectar-se a ele,
ao invés de tentar fazer com que ele se conecte a você. Essa atitude diz, “Estou aqui,
te amo e gosto dessa brincadeira!” E vão recitar roteiros quantas vezes forem
necessárias. Se em algum momento ele te olhar, diga algo assim, “Olá! Obrigada por
olhar pra mim! Obrigada por me notar! Estou me divertindo muito!” Não faça
perguntas, se não voltamos àquela dinâmica do interrogatório. Quando fazemos
perguntas às crianças estamos pedindo que elas sejam interessantes ao invés de nós
sermos interessantes a elas. Se ele olhar e falar contigo sobre roteiros, expanda o
roteiro! Diga, “Uau, eu adoro esse personagem, ele é muito bom! Adoro Harry Potter,
ele é muito legal! E quando monta na vassoura e voa por todo o lado?” Você ganha
vida e se transforma em Harry Potter, aí ele vai querer interagir pois vocês estarão
falando da mesma coisa. Ajude-o a interagir no mundo dele primeiro, sem perguntas,
mostrando que o aceita, que se interessa, está entusiasmada e que tem algo a
oferecer. Não oferecemos nada com perguntas. Perguntas somente solicitam que a
criança faça algo diferente. Espere aquele momento de entrada na brincadeira e aí
faça algo para interagir e quantas vezes for preciso, ok? É assim que eu agiria nesse
caso. Novamente, 30 minutos por dia juntando-se a ele. Lembre-se, ʻjuntar-seʼ não é
fazer perguntas, mas fazer o que ele faz com entusiasmo e esperar que olhe para
você, ou te dê a oportunidade de dizer, “Oi! Sou o Harry Potter,” ou seja qual for o
personagem com quem estiver brincando, certo? Espero ter ajudado.
Outra pergunta. Como lidar com disciplina em casa e não necessariamente no quarto
de brincar de maneira que não seja confuso para nosso filho que tem Asperger e
também para suas duas irmãs mais novas que o adoram e olham para ele como
modelo?
Bem, é preciso ficar claro que haverá duas maneiras de interagir com seus filhos, uma
com seus filhos com necessidades especiais e outra com seus filhos neurotípicos.
Com seus filhos neurotípicos você pode por exemplo dizer, “Você fez isso e por isso
quero que vá para seu quarto e pense sobre o que fez.” Não faria isso com seu filho
com Asperger pois quer ajudá-lo a ser mais sociável, capaz de relacionar-se, de
conectar-se, e se mandá-lo para o quarto para pensar é o mesmo que dizer, “Vá para
o quarto se isolar!” Queremos ajudá-lo a sair do espectro do autismo primeiro para
depois usar esse tipo de disciplina.
É importante explicar para suas filhas que as coisas são diferentes, que o irmão tem
alguns desafios, que não é sempre que entende, que precisa que as coisas sejam
sempre iguais e que talvez repita a mesma coisa muitas vezes. Às vezes lida com
situações através de choro e gritos, e para ajudá-lo lidamos com ele de uma maneira
especial. Lembre suas filhas de que são sociáveis, que conseguem se relacionar e
entender a diferença entre as coisas, e que por isso vai mandá-las para seus quartos
quando fizerem algo errado.
Elas podem responder, “Isso não é justo!” Diga que estão certíssimas! Não é justo, a
vida não é justa! Isso é verdade. Dizer que a vida é justa não é verdade porque
nasceram neurologicamente típicas e seu filho não! São diferentes e cada um requer
um tratamento. Você pode acrescentar, “Veja bem, vocês podem fazer isso e isso, ir
aqui e ali, e seu irmão não pode. As coisas são diferentes e talvez não tão justas como
gostaríamos, mas é porque são diferentes que temos de nos adaptar.” Ajude-as a
entender que serão tratadas de maneira diferente. Quando seu filho se recuperar do
autismo de alto desempenho ou Asperger poderá integrar essa forma de disciplina à
educação dele também, mas por enquanto é assim que eu explicaria às irmãzinhas
dele.
Outra pergunta. Como conseguir que os voluntários sejam aceitos no quarto de
brincar?
Nosso filho tem 8 anos, se relaciona muito bem com membros próximos da família e
adora o quarto de brincar, mas nos preocupamos com o desafio de apresentar os
voluntários a ele, tememos que ele saia do quarto ou pule pelas janelas.
Alguns conselhos bem fáceis. Coloque travas nas janelas para que pular por elas não
seja uma opção. Podem colocar fechadura na porta e mantê-la trancada. Sei que com
crianças mais novas isso é mais fácil do que se seu filho tiver 18 anos e pesar 130kg!
Mas estamos falando de uma criança de 8 anos. Nesse caso, quando estiver no quarto
brincando com ele, avise que alguém novo virá brincar com ele, que essa pessoa está
muito feliz em vir e comente sobre os jogos que a pessoa gosta. A pessoa pode estar
do lado de fora observando a conversa e aí você o chama. “Entra aqui, John!” Você
não sai do quarto; o John entra e vocês fazem um jogo a três. Avise seu filho
antecipadamente que sairá em mais ou menos 5 minutos. Vocês inventam uma
brincadeira a três e você aos poucos vai reduzindo a sua participação e deixa que
John tome a frente e se conecte com seu filho. Você sai de mansinho do quarto de
brincar e pode dizer que volta depois. Bem, você pode dizer, "no mundo ideal, isso
aconteceria, mas o que fazer quando meu filho vem e se agarra nas minhas pernas ?"
O que pode fazer nessa situação, e é o que fazemos aqui no nosso programa e outras
famílias têm feito também, é adotar uma postura de 'árvore.' Você diz, "Olha, vou sair
do quarto daqui a pouquinho, o John vai ficar com você, eu não vou falar muito nesse
momento e qualquer coisa que queira saber pode perguntar ao John e ele te
responde, ok? Você é um garotão e vai se sair muito bem com esse novo amigo."
Então você fica quieto, desvia o olhar e fica olhando para o John. Qualquer pergunta,
deixe o John responder e se envolver na brincadeira com o seu filho. Devagarinho,
mas com certeza, porque já vimos isso acontecer muitas vezes, seu filho acaba se
envolvendo e interagindo com a outra pessoa. Quando for sair, não precisa dizer,
"olha, vou sair agora!" Você já disse isso, não precisa lembrá-lo. Quando ele olhar e
não te vir, ele já saberá que você saiu. O John fica e você pode dizer antecipadamente
ao John que tudo bem se seu filho chorar um pouco quando você sair. É uma
transição vital e pode ser acompanhada de crise de choro, mas nem sempre, e você
tem de saber lidar com isso ao invés de voltar para o quarto cada vez que ele chorar.
Assim é que trataria a questão do voluntariado.
Outra pergunta. "Gostaria de saber como lidar com meu filho que sempre grita sem
motivo algum. Na escola, em casa ou em outro lugar qualquer; ele diz que isso o faz
sentir bem. É um som alto e estridente que incomoda qualquer um por perto e já
causou muitos problemas na escola. Ele foi diagnosticado com Asperger severo e tem
um QI muito alto, o que me deixa muito frustrada, pois quando alguém é inteligente os
outros não simpatizam com seus problemas."
Isso vem ao encontro do que eu disse anteriormente que as pessoas olham para
indivíduos com Asperger de alto desempenho e dizem, "você é tão capaz," e todos
esperam muito deles e não conseguem entender o impacto dessa condição. Há uma
diferença neurológica, como um homem com a perna quebrada que anda com uma
muleta. Alguém com Asperger tem uma diferença neurológica se comparado com os
outros, e isso não é visível aos olhos. As pessoas acreditam que eles entendem o que
estão fazendo, mas isso não é necessariamente verdade, eles podem ou não
entender. Eles simplesmente não conseguem controlar o impulso de realizar certas
atitudes negativas.
"Meu filho é sempre muito negativo o que causa muito estresse para todos em casa e
na escola. Sei que vai sugerir que eu seja positiva." Você nos conhece bem! "Mas
como se manter positivo perto de alguém tão negativo? E no caso dele, cada vez que
ele supera alguma coisa, algo pior aparece."
Bem, vamos falar dos gritos. Seu filho tem Asperger e precisa de algo que seja
previsível e fácil, no caso de seu filho é o grito. Ele precisa de um ambiente centrado.
Se ele grita, talvez seja porque ele precisa de algo que o tire de certas situações,
então começou a gritar. Por exemplo, aprendeu que quando grita as pessoas se
afastam, o deixam em paz, então é um comportamento bastante útil para ele. Mas
deve tentar ser o mais receptiva possível e o que vai ajudá-lo realmente é fazer um
programa com ele. Tê-lo pela casa toda ou na escola não permitirá as mudanças que
ele realmente precisa. O que deve fazer é determinar uns trinta minutos por dia e
durante esse tempo se ele gritar, grite! Experimente a sensação de gritar, junte-se a
ele e mostre que o aceita, porque é isso que ele não está percebendo. Mas se quer
que ele relaxe e entenda o mundo mais rapidamente e que tenha relacionamentos
mais significativos, mostre a ele que o entende! "Hei, quando você grita, eu grito e o
aceito e me divirto!" Talvez possa fazer mais alto... ou mais baixinho. Talvez possam
conversar sobre isso: "Ei, você grita... quero tentar: Ahhhh! Eu grito!" E ai? Como se
sente? Qual grito ele gosta mais? Talvez possam escrever uma musica só de gritos:
Uh hu Uh hu Uh hu! Pode ser divertido, é com certeza uma conexão e podem se
divertir muito. Tem de pensar que o que pode ajudá-lo a sair dessa negatividade é
você. E sabe que o que direi é para focar na aceitação maior, atitude mais fácil e
positiva. Se tem problemas com ele e se ainda não participou de nosso programa
START UP, eu a aconselho a vir. Temos muito material, website, tem muita
informação no nosso site, telefone, fale com algum de nossos experientes
conselheiros familiares e diga, “Preciso de material de apoio para ler, cds, vídeos que
possam me ajudar a mudar o meus padrões mentais, minha atitude.” É como eu
sempre digo, se continuar fazendo o que sempre fez vai continuar com os mesmo
resultados. Se quer um resultado diferente, algo tem de mudar e as mudanças não
virão de seu filho com Asperger. As mudanças virão primeiramente de você. Sei que
todos vocês estão fazendo o seu melhor e parte disso é se perguntar, "O que mais
posso fazer? Não posso mudar isso, não posso mudar esses gritos dele em trinta
minutos, mas posso estar lá com ele e vou gritar um pouco." Quando ele gritar em
casa fora daqueles trinta minutos, diga a ele, "Ei, lembra-se que temos aquele espaço
só nosso onde podemos gritar? Vamos gritar lá, porque assim não incomodamos
ninguém, nem fica muito alto. Olha só! Tenho o saco do grito! Você põe na sua boca e
grita: Uuuuu!" Assim tem esse sentido de diversão e você também está dizendo que
está OK se ele gritar, mas é melhor se ele gritar com um saquinho ou com a bola. Se
começar a fazer isso, talvez ele passe a controlar e superar isso na escola. Mas o
meio escolar pode ser desafiador, um pouco demais para crianças com Asperger. As
pessoas tendem a colocar seus filhos na escola porque sentem que eles estão indo
tão bem, mas no fundo pode ser interessante tirá-lo da escola por um tempo e depois
mandá-lo novamente.
Mais perguntas. Como trazemos amigos para dentro do quarto de brincar? Meu filho
adora estar com outras pessoas, mas às vezes estranha, especialmente se houver
mais de uma criança. Explicamos a ele ou a criança que está chegando? Ou como
podemos lidar com isso?
Digamos que seu filho esteja no estágio em que consegue brincar com amiguinhos, e
isso foi o que fizemos com Jade e o que outras famílias fazem. Você tem um quarto de
brincar organizado e nesse quarto seu filho tem a sensação de segurança,
previsibilidade e controle. Comece convidando uma criança e brinquem nesse quarto.
Eu não diria pra o amiguinho dele, "olha, meu filho tem Asperger de alto desempenho,
então deve se colocar de maneira que haja contato visual, deve comemorar isso ou
aquilo." A ideia de brincar com um amiguinho é saber como eles lidam com outras
pessoas, com seus colegas, quando seus colegas não receberam instrução alguma,
porque em situações reais ninguém vai ser instruído a como lidar com seu filho. Por
isso, é importante entender como seu filho lida com outras crianças. Convide-os a
brincar. Escolha uma criança que não seja tão mandona, que não vá dominar tudo e
seu filho ficar de marionete, mas também não escolha uma criança que seja
totalmente passiva. Escolha alguém que seja flexível, que tenha personalidade.
Existem crianças que são realmente mandonas e outras passivas. Talvez tenha um
vizinho que possa brincar com seu filho, ou um sobrinho ou sobrinha, priminhos dele,
ou filhos de seus amigos que possam vir brincar; brinquem no quarto. Lembro-me uma
vez em que estava brincando com Jade e um garotinho chegou e começou a brincar
conosco. Eu disse, "olha, preciso sair do quarto um pouquinho, mas volto em 15
minutos." Eu saí e olhei pelo espelho de observação - você pode olhar por uma
câmera, se você tiver - e pudemos observar como Jade lidava com a situação, o quão
preparada ela estava. Organizamos então para ela brincar com outras crianças
quando ela estava pronta, 30 minutos por dia, ou melhor, por semana e ela foi
melhorando e se tornando mais forte e capaz enquanto fazíamos o programa com ela.
Gradualmente, aumentamos o número de pessoas no quarto e assim ela foi se
acostumando a interagir no modo como queríamos que ela interagisse, da maneira
que era a melhor socialmente para ela. Assim é que eu apresentaria a ideia de brincar
com amiguinhos.
-- Fim da Parte II --

Veja aqui a tradução:
PARTE III
“Meu filho de 15 anos fala constantemente sobre carros, onde são feitos, as
companhias que os fazem e uma infinidade de detalhes. Como fazer com que ele fale
sobre outras coisas?”
Acho que já falamos sobre isso. A ideia não é fazer com que ele fale sobre algo
diferente, mas tentar ajudá-lo a expandir o assunto. Tivemos um garotinho que veio aqui
e adorava carros. Conversávamos sobre os símbolos deles, desenhávamos e brincando
fomos interagindo até entrar no mundo dos carros com ele. Tem muita gente que adora
carros! Talvez você ou seu companheiro seja um deles, desses que vão às feiras,
colecionam cartazes, reconstroem carros! Um monte de gente adora carros. A primeira
coisa é aceitar que seu filho gosta de carros, é repetitivo e que você quer ajudá-lo a
expandir nesse tópico. Então, quando estiver no quarto de brincar falando sobre carros,
pense em maneiras diferentes de expandir o assunto. Por exemplo, com um garoto que
esteve aqui conosco, nós tínhamos várias fotos de carros diferentes e juntos os
admirávamos dizendo, “Adoro esse aqui!”, “Veja este outro!” Depois de mostrar a ele as
diferentes imagens de carros que havíamos recortado, dissemos, “Agora vamos montar
um super-carro! Vamos cortar uma parte deste e outra deste e vamos fazer o carro mais
perfeito do mundo! E ele vai ter as melhores rodas, a melhor direção, a cor mais bonita!”
E assim projetamos um novo carro; essa é somente uma ideia para expandir o assunto.
O garoto adorou! Ficou muito entusiasmado pois nunca tinha feito isso e permitiu
variações no assunto. Falamos porque gostamos ou não de alguns carros. E se
estamos num carro, gostamos que vá mais rápido ou mais devagar? Conversamos e
interagimos e descrevemos o que gostamos e o que não gostamos. A interação é
enorme e você não está dizendo a ele, “Pare!” A atitude repetitiva não é sua inimiga, é
na verdade, a porta de entrada. Entre, divirta-se e expanda de dentro para fora.
Próxima pergunta. “O que fazer quando tentamos nos juntar ao nosso filho, que fala
sozinho, e ele diz, ʻPara!ʼ? Como permanecer na cena? Ele se afasta quando fala
sozinho, me exclui e não permite que eu participe”.
Quando seu filho fala sozinho, de maneira repetitiva, há algumas coisas em que deve
prestar atenção. Vamos supor que fale sobre copinhos de papel. “Gosto de copinhos de
papel e quando coloco um sobre o outro eles ficam mais altos. Posso beber neles.
Posso colocar os copinhos todos juntos!” E assim por diante. Se você for falar de
copinhos de papel assim, “ ADORO COPINHOS DE PAPEL! ELES SÃO O MÁXIMO!
POSSO EMPILHÁ-LOS! OLHÁ SO COMO OS MEUS ESTÃO ALTOS!” (com o tom da
voz bem alto). Na verdade, não está se juntando a seu filho, mas tentando interferir no
que ele está fazendo e querendo que ele preste atenção em você. ʻJuntar-seʼ significa
fazer a mesma atividade com entusiasmo genuíno de tal forma que seu filho possa até
perceber o seu entusiasmo e ficar interessado em você, mas sem sentir-se obrigado a
prestar atenção a você. Algumas dicas. Esteja consciente de sua atitude, seus
sentimentos. Perceba se está tentando entrar na conversa dele. Está muito próximo
talvez? Ou falando muito alto? Ele está tentando se ouvir falando e você pode estar
falando mais alto, muito perto, em cima dele. Ele provavelmente dirá para você parar e
se afastar, mas nas entrelinhas estará dizendo, “Papai, mamãe, a forma que estão
fazendo não está legal para mim. Podem fazer diferente?” Procure fazer de uma forma
mais quieta, (sussurrando) “Meus copinhos de papel, posso empilhá-los todos juntos...”
Falando baixinho e quem sabe no outro lado do quarto, sem olhar diretamente para ele,
mas mostrando que está ali e não quer que ele pare de fazer nada, ou que olhe, ou faça
coisa alguma. Simplesmente mostre que está ali e que o ama e que, quando ele estiver
pronto, ele pode prestar atenção em você e isso será fantástico. É isso que deve ter em
mente quando quiser ʻjuntar-seʼ ao seu filho. Se ele disser, “Pare com isso!” Retire seus
copinhos de cena e diga, “Claro! Obrigada por me dizer. Não farei mais isso.” Havia um
pai que não ʻouviaʼ o que o filho dizia a tal ponto que a mãe não permitiu que ele
entrasse no quarto de brincar por duas semanas! Quando ele retornou, o filho tinha se
acostumado com o fato de que o pai não prestava atenção ao que ele dizia, mas o pai
queria mostrar que tinha mudado e iria ouvi-lo com atenção, então o garoto dizia. “Senta
na cadeira!” O pai sentava. E o garoto o manteve na cadeira por algumas sessões sem
permitir que ele se levantasse. O pai teve que realmente mostrar que sabia ouvir agora.
Às vezes, ele fazia menção de sair da cadeira e o garoto dizia, “Senta!” E o pai se
sentava! E sentado ali na cadeira, ele fazia o melhor para mostrar ao filho que o amava
enquanto o garoto brincava de um lado para o outro. Se seu filho pede que você pare de
falar, pare de falar! Mas pode ainda mover seus lábios enquanto brinca com os
copinhos. Faça de conta que os copinhos estão na sua frente. Se seu filho disser, “Não
mexa suas mãos, não mexa nada, não faça nada!” Diga, “Claro!” Sente-se ali e o olhe
com muito amor em seu olhar, pense sem dizer nada, “Está tudo bem, estou dando o
controle a você, eu te aceito.” Dê um prazo de mais ou menos cinco minutos e volte a se
mexer, somente os dedos primeiramente, bem quietinho, pequeno, e vá aumentando
devagar. Permita que seu filho fique no controle, é isso o que ele quer. Quando eles
dizem ʻnão,ʼ é controle que estão buscando.
Próxima pergunta: Essa é ótima e bastante freqüente. “Meu filho tem nove anos e não
aceita perder nos jogos”. Eu conheço um monte de gente que não aceita! “Por causa
disso, evita brincar com jogos que gosta muito por medo de perder. Se joga e acaba
perdendo, ele quer jogar sem parar até que ganhe! Como podemos ajudá-lo?” Excelente
pergunta.
Primeiramente, é importante fazer o vencer e o perder muito divertidos nos jogos.
Quando ele ganhar, faça festa, “Uhu! Você ganhou! E eu fiquei em segundo lugar,
Uhu!!!” Vivemos numa sociedade na qual vencer é o que importa e quem perde não tem
valor algum. Quem ganha recebe toda festa, mas e aqueles que jogaram com
entusiasmo, nada para eles? Tire a ênfase do ganhar, pare de dizer que é tão
importante, tão crucial, e coloque mais ênfase na atividade. Diga, “Sabe de uma coisa,
eu adorei jogar com você. Fiz festa porque você ganhou, que tal fazer festa para mim
que fiquei em segundo lugar e adorei jogar com você? Uhu! Joguei e fiquei em segundo
lugar!” Pode até envolver um ursinho de pelúcia na brincadeira dizendo, “Ei ursinho,
você ficou em terceiro! Parabéns! Medalhas! Medalha para quem ficou em primeiro,
Uhu! Para o segundo lugar também, Uhu!” Assim fazemos todos especiais e não
somente quem ficou em primeiro. Vencer é maravilhoso, mas jogar também é
maravilhoso, ter amigos e ter alguém com quem brincar juntos, isso é o que mais
importa. Tire a ênfase do ganhar. Jogue alguns jogos assim, depois jogue um jogo em
que seu filho perca e vibre dizendo, “Ei, obrigada mesmo por jogar comigo, é tão
fantástico poder jogar com você!” E continue vibrando com ele e será isso que ele
internalizará, que ficar em segundo, ou terceiro, ou vencer, tudo é bom. É preciso criar
essa situação em torno do ganhar. Não evite essas situações! Ajude-o a desenvolver
essas ferramentas tão importantes para amizades.
Uma pergunta sobre Jade e o tratamento que fizemos com ela. “Você mencionou
anteriormente que sua filha se recuperou completamente graças aos tratamentos que
fizeram com ela. Pode nos dizer quais? Conheço tudo sobre ABA e técnicas
semelhantes, mas essas parecem mais apropriadas para crianças que tem o tipo de
autismo clássico. O que você acha do protocolo DAN para crianças com Asperger? Meu
filho não é vacinado.”
A principal coisa que fizemos com Jade para ajudá-la a se recuperar do autismo foi
focar no desafio nr. 1 dela: a habilidade de se conectar e socializar. A princípio, não
focamos em ensiná-la a sentar-se na cadeira ou segurar o garfo, focamos em
interações sociais e no desenvolvimento de relacionamentos. Acreditávamos mais do
que tudo que ela poderia fazer mais contato visual, que poderia com certeza fazer
frases de duas palavras, fazer sentenças, ter uma conversa inteira, que poderia ser
flexível em seus relacionamentos. Acreditamos muito que ela poderia fazer tudo isso.
Aplicamos, então, todas as técnicas do programa Son-Rise, tudo o que ensinamos nos
programas START UP e avançados e também em nossas publicações. Veja nosso site,
tem muita coisa lá. Mas o principal é a interação social. Dê ênfase às quatro grandes
áreas de foco: contato visual, comunicação/comunicação verbal, período de atenção
compartilhada e flexibilidade. Essas são as quatro grandes áreas de foco do programa
Son-Rise. Se visitar nosso site, temos um modelo de desenvolvimento que o ajudará a
identificar em que estágio seu filho se encontra e em quais habilidades sociais ele
precisa de ajuda.
Fizemos outras coisas também. Fizemos dieta livre de glúten e caseína, tiramos todo
açúcar inclusive frutose, glicose, aditivos artificiais e conservantes. Fizemos tudo isso e
a mantivemos nessa dieta, pois estávamos fazendo algo externo, como o programa
Son-Rise, que foi profundamente significativo para ela, mas era importante que ela
estivesse bem fisicamente também, porque ela tinha alergias. Fizemos os testes de
alergia, de urina, de fezes, de cabelos, tudo isso para que pudéssemos criar uma dieta
que a mantivesse o mais calma possível para que as mudanças neurológicas pudessem
ocorrer. Pois se uma criança está elétrica por causa de açúcar, vai ser muito difícil
concentrar-se, fazer as mudanças e praticá-las para que os novos caminhos
neurológicos possam entrar em ação. Foi isso que fizemos com ela. Defendemos
fortemente o tratamento alimentar como aliado chave ao programa Son-Rise.
“Como podemos ensinar nosso filho a agir mais ʻnormalmenteʼ quando está com outras
crianças? Ele tem 12 anos e quer muito ter amigos, mas vejo como ele age na piscina e
as crianças o acham estranho. Mas ele parece não perceber que age de modo
estranho. Quando digo, ʻNão!ʼ para ele parar de fazer certas coisas que irritam as
pessoas, ele balança a cabeça, mas continua fazendo.”
Há uma série de coisas, mas o trabalho deve ser feito em casa e com dedicação. É
assim que vai conseguir as mudanças que quer ver na piscina, no parque, na escola;
através das intervenções que fizer em casa. Se ainda não começou seu programa,
comece com trinta minutos juntando-se a ele nos comportamentos repetitivos. Ele não
está internalizando o que você diz. Na piscina, por exemplo, os estímulos podem ser
demais para ele e ele pode estar tentando lidar com a situação, aí você diz, “Não faça
isso!”, ele balança a cabeça e concorda, mas o estímulo é demasiado para ele. Ajude-o
em casa, trabalhe e pratique em casa. Pratique o quanto for necessário e quando forem
à piscina ele saberá mais o que fazer, se sentirá mais adequado, mais tranqüilo e
centrado nessas interações sociais e poderá lidar melhor com elas. Na hora da
interação social, é possível que você o guie, mas se quer ver aquelas mudanças mais
profundas, faça o programa em casa. Comece com trinta minutos.
“Cada vez que perguntamos à nossa filha, ʻComo foi seu dia?ʼ, ou ʻComo foi na
escola?ʼ, ela responde com frases feitas de filmes e shows que ela viu. Não importa o
que perguntemos, ela responde como se fosse um roteiro. O que podemos fazer?”
Primeiramente, vibre pois você está recebendo uma resposta! Pelo menos recebi uma
resposta! Te asseguro que há muitas crianças que não respondem a esse tipo pergunta.
Elas sequer tentam ou conseguem colocar informações juntas para dar uma resposta;
não dizem nada. Então, a primeira coisa a fazer é reconhecer que ela está respondendo
e interagindo socialmente. Tudo bem, é o roteiro de um filme da Disney, como
ʻProcurando Nemoʼ, que é o que ela conhece, então responde com isso. Ela interage,
porém inserindo respostas prontas. Algo que a ajudará a se tornar mais espontânea é a
sua reação entusiasmada à resposta dela. Vibre! “Muito obrigada por responder! Parece
uma resposta do Nemo! Tenho certeza que Nemo também se divertiu muito! Muito
obrigada!” Vibre, comemore, divirta-se com ela. Depois pode até perguntar, “E o que
fizeram na sala hoje?” E se ela responder, “Nós nadamos na piscina!” diga, “Meu Deus,
que engraçado! Nadaram na piscina!” Pode fazer perguntas mais específicas. Diga, por
exemplo, “Eu sei que estava brincando com a Bete e as bolas, e o que fizeram com as
bolas?” Faça perguntas mais diretas e específicas ao invés de ʻo que fizeram na sala?ʼ
Ela pode pensar que esteve na sala uma hora inteira, muito tempo, 60 minutos, muitos
segundos, que fez um monte de coisas, de que “minuto” específico você quer saber?
Ajude sua filha a focar mais e faça perguntas mais fechadas, mais precisas, isso será
mais útil. É como se te perguntassem, “Como foi seu dia?” E você respondesse, “Foi
bom.” Mas se te perguntarem, “Como foi seu dia quando pegou sua filha na escola,
lembro-me de uma mulher que estava lá e estava olhando para vocês de uma certa
maneira quando sua filha chegou”, daí talvez você seja capaz de responder mais
especificamente ao invés de dizer que foi um bom dia. Faça o mesmo com sua filha. A
ajudará a focar e a responder a perguntas espontaneamente sendo mais específico.
Primeiro comemore, pois está recebendo uma resposta, divirta-se com o que fizer com
ela e depois faça perguntas mais específicas. Procure também fazer a pergunta quando
sua filha estiver interessada em respondê-la. Se já estiver envolvida num roteiro, dentro
dos ʻismos,ʼ e você perguntar algo, provavelmente ela dirá qualquer coisa sem pensar
muito em sua pergunta, pois não estará interessada naquilo no momento. Espere até
que tenha uma conexão para tentar uma interação.
Temos somente mais alguns minutos, vou tentar responder a outra pergunta.
“Como fazer meu filho com Asperger parar de tocar suas partes íntimas ou tirar o calção
na piscina, o que ele acha muito engraçado? Ele tem 7 anos”.
Tenho certeza que ele acha muito engraçado, pois certamente todos ao redor dele
devem se iluminar como se fossem árvores de Natal quando faz isso! Algo assim, “Não,
não, sobe o calção!” E as pessoas vem do outro lado da piscina; todo um drama! Se ele
quiser entretenimento, vai abaixar o calção. Primeira coisa a fazer, e eu não posso
enfatizar isso o suficiente, trabalhe com ele em casa no quarto de brincar e esses
comportamentos mudarão; seu filho vai entender que isso não se faz. O fato é que ele
não entende, ele não se importa, e está no mundo dele. Precisa ajudá-lo a aprofundar o
entendimento de interação social, do que significa estar na piscina pública com outras
pessoas. Leve-o à piscina quando não tiver ninguém lá e se ele repetir o
comportamento, não faça drama. Vá até lá, mas não diga, “Não faça isso!!!” Explique
aos seus amigos. Às vezes, os pais sentem-se envergonhados e querem mostrar aos
amigos que são bons pais e que podem controlar o filho, mas a criança não entende,
ela acha engraçado pois todo mundo vem correndo. Explique aos seus amigos que seu
filho talvez apresente esse comportamento e que uma reação mais dramática pode
encorajá-lo, e que vocês querem evitar isso. Então vá até seu filho e calmamente diga,
“Vamos subir seu calção”, não faça cena, e sigam brincando. Faça isso na piscina e
trabalhem em casa.
Nosso tempo acabou, mas quero recapitular com vocês. Vou começar lendo uma
citação de uma mãe que tinha uma criança com autismo de alto desempenho/Asperger
e ela diz o que você pode fazer você mesmo, pois muitos de vocês se perguntam o que
é que podem fazer por suas crianças. Para aqueles que estão nos assistindo pela
primeira vez, venham para um de nossos treinamentos, é muito importante.
Ela escreveu sobre o filho que tem 11 anos e tem Asperger, “Participar do programa
Son-Rise START UP mudou completamente meu modo de interagir com meu filho.
Antes meu foco era basicamente acadêmico. Por causa do alto desempenho de Jake,
eu não prestava atenção ao aspecto de interações sociais, esperando que, se ele fosse
bem na escola, os problemas de socialização desapareceriam com o tempo”.
Se seu filho tem autismo de alto desempenho/Asperger, é comum que sinta que ele
pode superar sozinho os desafios com o tempo. Acreditamos que você possa fazer algo
para realmente ajudá-lo. Se você já veio, está fazendo o programa e vendo as
diferenças, que bom! Se você ainda não veio, recomendo fortemente que visite nosso
site na internet, inicie um contato com nossos consultores, pois você pode fazer algo!
Entre em contato pelo nosso website www.autismtreatment.org, ou telefone para
(413) 229-2100. Se estiver fora dos EUA, deve descobrir o código de acesso, acho que
é 001 se ligar a partir do Reino Unido, então você deve descobrir qual é o código a partir
do seu país. Se estiver nos EUA ou Canadá, pode discar 1-877-766-7473. Mas se
preferir, visite nosso website www.autismtreatment.org, todas as informações estão
lá, todos os telefones, e muita informação extra.
Foi realmente um prazer dividir essas informações. Todos daqui acreditamos
sinceramente que você pode fazer coisas maravilhosas com sua criança a partir da
aplicação dessas três estratégias simples; você pode fazer a diferença!
Muito obrigado e tenha um excelente dia com sua criança! Obrigado.
--- FIM ---