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sábado, 22 de agosto de 2009

Poesias-Poemas de autores prediletos



22.o8.2009

Ei? Você? Conhece uma menina de olhos verdes? Não conhece? Pode ser uma amiga, namorada, irmã, um amor platônico!!!! Seja quem for!!! Se quiser fazer um galanteio, um carinho, um mimo, uma homenagem... seja o que for!!! Que tal se inspirar em Camões? O poema abaixo é lindo!!! Aproveite!!!


Cantiga
Luis de Camões

Menina dos olhos verdes,
Por que me não vedes?

Eles verdes são,
E tem por usança
Na cor, esperança
E nas obras, não.
Vossa condição
Não é d’olhos verdes,
Porque me não vedes.

Haviam de ser,
Porque possa vê-los,
Que uns olhos tão belos
Não se hão de esconder:
Mas fazeis-me crer
Que já não são verdes,
Porque me não vedes.
Às vezes necessitamos rever nossos conceitos para que possamos entender melhor as pessoas, o mundo, a vida de cada um. É o caso de "Deficiências", aqui retratado pelo grande e eterno Mário Quintana.

DEFICIÊNCIAS, Mario Quintana (escritor gaúcho nascido em 30/07/1906 e morto em 05/05/1994 .
"Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.

"Louco" é quem não procura ser feliz com o que possui.

"Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.

"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.

"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.

"Paralítico" é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.

"Diabético" é quem não consegue ser doce.
"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer.E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois:

"Miseráveis" são todos que não conseguem falar com Deus.

"A amizade é um amor que nunca morre."


O poema a seguir, escrito por Manuel Bandeira, chama a atenção para um grande mal, uma doença terrível: A FOME!!!! Vale a pena refletirmos sobre esse mal social que assola a nossa sociedade. Nós que somos família, educadores, estudantes, seres em geral, reflitamos um pouco sobre o BICHO!
"Vi ontem um bicho

Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,

Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um HOMEM".

Manuel Bandeira, nascido no Recife, em 1886 e falecido de tuberculose aos 82 anos.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Família e Escola

A Escola como um sistema

Educação é vida! A partir do momento que nascemos começamos a aprender coisas. Aprendemos a engatinhar, andar, falar, comer, enfim, aprendemos tudo que é necessário para nos mantermos vivos. Aprendemos com a nossa família, uma educação pautada em valores morais, éticos e religiosos, que vão ser a base da nossa formação enquanto Seres Humanos. Mesmo assim, precisamos aprender uma educação sistematizada, precisamos aprender “coisas” específicas. “Coisas” que vão influenciar a nossa vida pessoal e profissional, “coisas” que nem sempre vamos fazer uso, mas precisamos aprender. Essa é a educação escolar, a educação sistematizada. Por isso, ainda criança, somos levados à Escola.
A Escola é um espaço de socialização por excelência, onde se manifestam sentimentos de aceitação ou rejeição, principalmente porque é quando se descobre que o mundo vai além de nossa casa. A Escola como um sistema instituído para proporcionar o acesso ao conhecimento formal, também cria condições para que aconteça o entrelaçamento de relações que resultam na satisfação das necessidades dos alunos no que se refere ao processo ensino-aprendizagem.
A Escola é considerada um sistema. Segundo Haberkorn (1998), a Teoria Sistêmica tem como objeto de estudo os aspectos relacionais que acontecem nos espaços intra, inter e trans grupais. O conceito central dessa teoria é a idéia de circularidade em oposição à idéia de causalidade linear. Portanto, todos os envolvidos influenciam e são reciprocamente influenciados pelos outros.
Dentro da Escola, existem subsistemas interligados que são responsáveis pelo seu andamento. Assim, numa visão mais ampla da Instituição ESCOLA, observamos que, quando um único subsistema não se compromete com a sua tarefa de ajudar no encaminhamento de ações necessárias a um bom trabalho educativo, todos os outros subsistemas sofrem essa interferência prejudicando o sistema total. É o que chamamos falta de compromisso. Hoje, essa falta de compromisso está muito evidente nas escolas. Uma crise instalou-se e parece estagnada sem perspectiva de mudança. É comum nas Escolas encontrarmos profissionais da educação insatisfeitos com essa Instituição, especificamente a Escola Pública, quanto às condições de trabalho e a não valorização da profissão pelos governantes, gerando insatisfação inclusive, quanto à própria escolha profissional. Assim, compreendemos porque é tão difícil o despertar para uma educação que favoreça uma aprendizagem consistente e construtiva. Uma aprendizagem na qual se possa valorizar o Ser como pessoa, em que se possa trocar saberes e experiências de vida, onde professores, alunos, funcionários e pais possam assumir cada um a sua função, para que a aprendizagem aconteça.
“A escola pode ser considerada como um sistema aberto, que se inter relaciona com outros sistemas; com alguns deles, como a família, divide determinados objetivos e funções” (Solé, 2001, p. 118).

Contribuições da família no aprendizado escolar dos filhos

A família é o lugar soberano para a garantia da sobrevivência e da proteção integral dos filhos. É a família que propicia os aportes afetivos e, sobretudo, materiais necessários ao desenvolvimento e bem-estar dos seus componentes. Ela desempenha um papel decisivo na educação formal e informal. Lá também são absorvidos os valores éticos, culturais e humanitários.
Na relação família/escola, um sujeito sempre espera algo do outro. E para que isto de fato ocorra é preciso que sejamos capazes de construir coletivamente uma relação de diálogo mútuo, em que cada parte envolvida tenha o seu momento de fala, existindo uma efetiva troca de saberes.
Sabemos que no processo de aprendizagem o contexto familiar influencia a aquisição das habilidades metacognitivas (lógica, raciocínio...) necessárias para o aprendizado através da relação entre seus membros e de um ambiente estimulador e adequado que motiva a busca e o desejo de conhecer. Nos últimos anos, o papel da família vem sendo considerado relevante para a aprendizagem escolar porque é a partir dele que são criadas as condições para que tanto o aluno se “familiarize” com o ambiente escolar, como a escola tenha melhores instrumentos de compreensão da criança ou do adolescente, inclusive no aspecto afetivo.
Os recursos utilizados pela família para facilitar a aprendizagem alcançam verdadeiramente seus objetivos quando os pais funcionam como mediadores ajudando os filhos nas suas atividades escolares. O envolvimento da família no processo de desenvolvimento dos filhos, pode ser entendido como o interesse ativo dos pais pela criança e o investimento de tempo e de recursos na sua criação e educação, fornecendo suporte emocional que auxilia na formação do senso de competência, encorajando-os pelos seus esforços e numa “parceria” contribuir para a construção de sua autonomia.
Exemplos simples da vida cotidiana ilustram o envolvimento dos pais: ler para a criança e ouvir sua leitura quando ela solicita; promover e compartilhar atividades de lazer, passeios e férias; assistir à TV junto com a criança e estimular a conversação sobre o que é visto; dar supervisão e sugestões relativamente ao trabalho escolar; perguntar sobre a escola; monitorar as saídas, companhias e amizades. (Marturano, 1999, p. 22)
Para realizar e sustentar essas atividades se faz necessário que os pais sintam prazer em dedicar esse tempo às crianças.
Outro aspecto relevante é a interação pais-filhos e o uso da linguagem no lar, pois as conversações e atividades lúdicas facilitam o desenvolvimento lingüístico e cognitivo importantes para o aprendizado escolar. “São estimuladoras atividades como contar coisas para a criança, fazer comentários sobre o mundo que a cerca, ter disposição para responder e formular perguntas, utilizando palavras que a criança conhece ou está prestes a conhecer”. (Marturano, 1999 p. 22 apud Moreno e Cubero, 1995)
No que se refere a práticas educativas e disciplinares se faz necessária a construção de regras e rotinas, a construção e o suporte à autonomia, que consiste no estímulo à independência da criança exigindo que esta resolva por si mesma seus problemas, estando os pais disponíveis para prestar-lhes o apoio e a assistência de que necessita. Em relação à disciplina, Marturano coloca que: “(...) ambientes familiares onde há expectativas e regras claras e consistentemente aplicadas facilitam a discriminação, por parte da criança, dos processos de controles vigentes da escola”. (Marturano, 1999, p. 22)
Os pais devem também buscar ter acesso a informações através de leituras, cursos, palestras e troca de experiência com outros pais que lhes ajudem a entender e facilitar o aprendizado escolar de seus filhos. Marturano apud Kellaghan, Sloane, Álvares e Bloom, enfatiza que: “A principal contribuição do lar está em ajudar as crianças a construírem uma gama de estruturas e hábitos que formarão os fundamentos para a aprendizagem escolar posterior e continuarão a dar suporte a essa aprendizagem quando elas estiverem na escola”. (Marturano, 1999, p. 25

Maria Joana de Araujo - Pedagoga/Psicopedagoga.