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sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Conversando com adolescentes

14.08.2009
Tenho vivenciado muitas experiências no campo da Educação, como Professora, Orientadora Educacional e Supervisora Pedagógica. Sempre gostei de ouvir os adolescentes e levar a sério suas conversas. Sei que tenho contribuído com a formação de muitos deles. Tenho ouvido muitas histórias interessantes e muitas delas às vezes precisam ser mostradas para que possamos entender melhor o que pensam as crianças e os adolescentes de hoje. É o caso de Fabrício[1], conhecido como um aluno inquieto, desinteressado, que não gosta de estudar e que sempre prioriza a brincadeira. Na nossa conversa, fiquei impressionada com a sua escrita e a sua letra bem definida e muito legível, pois o imaginava bastante desorganizado nesse campo. De posse de papel e lápis começou a escrever um poema que eu ditava, foi quando constatei que ele não apresentava dificuldades em ler e escrever. Então eu quis saber a sua forma de pensar e sugeri que escrevesse sobre o tema: “Minha visão de futuro”, o que fez prontamente. Eis o que ele escreveu:

Minha visão de futuro

“No meu futuro, não vai ter mais assalto nem assassinato. Vai ser um mundo de paz, todo mundo alegre e eu trabalhando de bombeiro e salvando as pessoas, deixando muitas famílias alegres. E no futuro vai ter carros voadores, muita tecnologia, um mundo sem armas e gangues, sem briga e sem confusão”.
[1] Fabrício (nome fictício), 12 anos, está repetindo o 6º ano, em uma Escola Pública de Natal – RN.
19.08.2009
Hoje, a minha conversa foi com David[2], 13 anos. Três desses anos, repetindo o 6º ano. Era final de expediente na Escola, quando o adolescente foi encaminhado para conversarmos sobre o seu comportamento em sala de aula. Durante a conversa, relatou-me o seguinte:
“Meu primeiro ano no 6º ano, foi em outra Escola. No final do ano eu não passei porque eu não assistia aula, não fazia as atividades, conversava muito com meus colegas, aí quando chegou o final do ano eu reprovei. No meu segundo ano no 6º ano, eu estudei nesta Escola, aí também eu não passei porque as minhas notas eram baixas. Aí quando eu fui me interessar já foi no final do ano, aí eu não passei. Mas esse ano eu vou passar porque eu to me interessando para que minhas notas fiquem boas, para quando eu chegar no final do ano eu passar, para dar alegria a minha mãe e a meu pai. Se Deus quiser, eu passo”.
Perguntei: Só se Deus quiser?
“Não, eu tenho que me interessar, parar de conversar nas aulas e respeitar os professores”.
Perguntei ainda: Esses três anos lhe atrapalharam?
“Esses três anos atrapalharam muito por causa das minhas brincadeiras. Mas eu vou estudar para eu ter alguma coisa na minha vida, porque hoje em dia, sem os estudos a gente não é nada. Até para a pessoa arrumar um emprego é difícil. Se a pessoa não tiver estudo, aí ta ruim pra pessoa arrumar um emprego. Era pra eu está no 9º ano”.
David, sente muita dificuldade para organizar suas idéias e representá-las por escrito de forma correta.
[2] David (nome fictício), 13 anos, estuda em uma Escola Pública de Natal – RN.

3 comentários:

  1. Olá Joana!
    Este é uma exemplo de muitos outros Fabrício. Quantos não vemos em sala inquietos, porque buscam mais, e o que lhe oferecem é pouco para satisfazer sua curiosidade, sua ânsia de saber... São poucos os "medonhos" em uma justificativa. Parabenizo sua atitude investigativa.

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  2. Obrigada amiga, pelo comentário!!! Também acho isso!!!

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  3. Achei legal essa sua pesquisa: já pensou a visão dessa criança é muito importante, se todos pensasse assim e pudesse mudar mesmo de verdade seria ótimo.

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